Forum Mundial da Água e os desafios futuros.

Ao longo da semana passada, o Brasil sediou o 8º Fórum Mundial da Água. Após sete dias de evento, recebeu 120,2 mil pessoas de 172 países diferentes. As sete edições anteriores foram realizadas em Marrakesh (Marrocos, 1997), Haia (Holanda, 2000), Kyoto (Japão, 2003), Cidade do México (México, 2006), Istambul (Turquia, 2009), Marselha (França, 2012) e Gyeongju e Daegu (Coreia do Sul, 2015).

Os principais temas debatidos foram: aumento da demanda de água; degradação dos ecossistemas; soluções baseadas na natureza (SBN); eventos extremos; segurança hídrica; desenvolvimento sustentável da água; entre outros.
Para se ter uma ideia dos desafios que enfrentaremos, atualmente a demanda mundial por água é estimada, em torno de 4.600 km3/ano. Calcula-se que esta irá aumentar de 20% a 30%, atingindo um volume entre 5.500 e 6.000 km3/ano até 2050 (Burek et al., 2016).

O uso da água aumenta em âmbito mundial, em função do crescimento populacional, do desenvolvimento econômico e das mudanças nos padrões de consumo, etc. No período de 2017 a 2050, a população mundial deverá aumentar de 7,7 bilhões para entre 9,4 e 10,2 bilhões, com dois terços vivendo em cidades. Estima-se que mais da metade desse crescimento ocorrerá na África (+ 1,3 bilhão), sendo que a Ásia (+ 0,75 bilhão) deverá ocupar o segundo lugar em termos de crescimento populacional (UNDESA, 2017).

O uso da água no mundo aumentou em seis vezes ao longo dos últimos 100 anos (Wada et al., 2016) e continua crescendo de forma constante, com uma taxa em torno de 1% ao ano (AQUASTAT, n.d.). O uso doméstico da água, que corresponde a aproximadamente 10% do total da captação hídrica em todo o mundo, deve aumentar de forma significativa no período 2010-2050, em quase todas as regiões do mundo.

Em termos relativos, o aumento da demanda doméstica será maior em sub-regiões africanas e asiáticas, onde os valores podem mais do que triplicar, e na América Central e do Sul a demanda pode ser mais do que o dobro dos valores atuais (Burek et al., 2016). Esse crescimento esperado pode ser atribuído principalmente ao aumento já previsto no que se refere aos serviços de fornecimento de água em assentamentos urbanos.

O uso mundial das águas subterrâneas, principalmente para a agricultura, atingiu 800 km3/ano em 2010, com a Índia, os Estados Unidos da América (EUA), a China, o Irã e o Paquistão (em ordem decrescente) respondendo por 67% do total de extrações em todo o mundo (Burek et al., 2016).
A demanda mundial para a produção agrícola e energética (principalmente alimentos e eletricidade), ambas atividades que envolvem uso intensivo de água, deve crescer por volta de 60% e 80%, respectivamente, até 2025 (Alexandratos; Bruisma, 2012; OECD, 2012).

Atender aos 60% de aumento estimado da demanda por alimentos exigirá a expansão das terras cultiváveis, se for mantida a situação usual (business-as-usual). Sob as práticas de gestão predominantes, a intensificação da produção envolve o aumento das intervenções mecânicas no solo e do uso de agroquímicos, energia e água. Esses fatores, associados aos sistemas alimentares, respondem por 70% da estimada perda da biodiversidade terrestre até 2050 (Leadley et al., 2014). Contudo, esses impactos, incluindo as exigências por mais terra e mais água, podem ser amplamente evitados se a intensificação da produção tiver como base uma intensificação ecológica que envolva o aperfeiçoamento dos serviços ecossistêmicos para reduzir os insumos externos (FAO, 2011b).

Assim, teremos que concretizar ações para este grande desafio que será a proteção deste recurso natural. Um novo paradigma atrelado a investimentos mais ousados dos diversos setores se torna urgente. É necessário investir na mudança de hábitos cotidianos. Pensar a água é a afirmação presente da existência ou não da vida no futuro!
Prof: Luciano Paez

Todas as fontes citadas neste texto podem ser encontradas no Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018 disponível no link: www.unesco.org/water/wwap